segunda-feira, 27 de abril de 2009

Pizzaria Bráz - Jardim Botânico

Eu não planejo falar várias vezes sobre o mesmo restaurante, para não parecer que estou querendo promover ou denegrir alguém. A idéia é só fazê-lo em casos especiais, como uma resposta do restaurante, ou na constatação de grande mudança. 

Mas o que aconteceu na minha última (e dessa vez ÚLTIMA mesmo) visita à Braz foi tão surreal, que acho que vale a pena contar. Para quem ainda não leu, eis o link para o primeiro post da Pizzaria Braz.

Cheguei lá com um amigo, pedimos dois chopps, uma entradinha (já desistimos do pão com calabresa fantasma) e uma pizza. Chegados nossos chopps, avistamos um senhor "à paisana" logo atrás do balcão, como quem está supervisionando as coisas, mas sem parecer muito ocupado. Perguntamos a um dos garçons se ele era o dono, o que nos foi confirmado.

Em geral, acredito que "donos" são mais interessados em ouvir a opinião do cliente e fazer algo a respeito, pois o gerente pode temer pelo seu emprego, ou simplesmente não dar a mínima mesmo. Pensando nisso, achei que seria legal bater um papo com o dono, contar minhas impressões, etc. Seria ótimo para ele saber o que eu penso, mesmo que ele discordasse. Já que ele não parecia estar ocupado, nem conversando com ninguem, resolvi chamá-lo para um bate-papo.

Usando das vias protocolares, chamei o maitre e disse:
- Eu adoraria conversar com o dono... Será que você pode dizer para ele que estamos convidando-o para tomar um chopp conosco?

O maitre faz uma cara "meio-com-peninha" e diz:
- Ahhhh... Ele ACABOU de ir embora... Se tivesse me falado há três minutos atrás...
- Ué... O dono não é aquele cara ali? - Falei, apontando pro sujeito atrás do balcão.

O maitre muda a cara para "ihh, me pegou", e vai até o camarada do balcão. Parece estar transmitindo nosso convite. 

Em seguida, retorna à nossa mesa e diz:
- Lamento... Ele agradece o convite, mas ele não bebe.

Tentando disfarçar minha incredulidade com a desculpa mais esfarrapada de todos os tempos para tamanha deselegância, retruco:
- Não tem problema... Ele pode tomar uma Coca, uma água, ou nada... Mas diz pra ele que estamos convidando-o para sentar e conversar conosco por 5 minutos.

O maitre faz um cara de "vou tomar um esporro, mas tudo bem..." Volta ao patrão, e agora já parece estar negociando uma solução. Retorna à mesa e diz:
- É que na verdade ele é o técnico de informática da casa, e não pode se sentar com cliente.
- Ué. Me disseram que ele era o dono.
--- cara de "ih, caramba, como eu saio dessa??"

Aí, já me aborreci, e perguntei um pouco mais enfaticamente:
- Ele É OU NÃO É o dono???
- Eh... É sim senhor... Mas ele não vai vir aqui não- Ele responde completamente constrangido.

Diante da situação mais ridícula possível, só me restou perguntar quanto custaram os dois chopps que tomamos, pegar os R$ 10,00 e jogar sobre o balcão onde repousava o desocupado, desinteressado, deselegante e agora desrespeitoso "Poprietário" do restaurante onde nunca mais ponho os pés.

Dali, fomos para a vizinha Capricciosa, onde deixamos de tomar chopp, pedimos um bom vinho, e gastamos nosso dinheiro mais felizes.

Alessandro & Frederico Pizzaria - Ipanema

Domingo  foi dia de passeio no calçadão, almocinho em Ipanema, bater perna e jogar conversa fora. Elegi o Alessandro & Frederico para o programa. Vou chamá-lo de A&F para encurtar o post. 

Sempre achei os pratos do A&F muito bons. Entradas, pizzas, panini, massas. Adoro.

Acabo de me lembrar que tem dois A&F's em Ipanema. Aliás, ambos na mesma rua. Pelo site, descubro que um é "A&F Café" e o outro "A&F Pizzaria". É desse último que vou falar, o na esquina da Garcia D'Ávila com Barão da Torre. Se não me engano, é o primeiro da rede.

E, como "primeiro da rede", já está mostrando os sinais da idade, especialmente naquilo que mais me atraiu quando passei na porta pela primeira vez: A programação visual (e, consequentemente, a decoração) em preto-e-branco. Quem já foi na minha casa sabe que eu gosto muito desse estilo, também já usado pelo finado J. Bar.

Apesar de visualmente muito interessante, o estilo tem um grande downside, que é requerer uma manutenção mais cuidadosa, pois o que chama a atenção é o constraste entre as cores opostas. Quando esse contraste diminui, os defeitos gritam.

E é exatamente o que está acontecendo com o A&F em questão. O toldo preto, que dá boa parte do charme para quem olha de fora, está desbotando, manchado. Associado a isso, a pintura interna também já está pedindo um retoque. As paredes "brancas" já se mostram num tom encardido, especialmente nos cantos perto de móveis. Parece que, ao passar um paninho para limpar a madeira, o faxineiro acaba manchando a parede. Além disso, olhando acima do balcão, eles poderiam ter caprichado mais no acabamento e pintura. As colunas da varanda, enferrujam sob a tinta.

Mas isso é apenas uma impressão visual que provavelmente só percebi por estar procurando erros. Não é nenhum demérito ao lugar, mas poderiam aproveitar como sugestão.

O atendimento foi muito tranquilo, os garçons educados, preparados e atenciosos. Comida excelente. No balcão, chocolatinhos em caixinhas e pães de abrir o apetite.

Mas tem uma coisa que eu acho muito desagradável em qualquer estabelecimento. O banheiro é no terceiro andar, e só se chega lá vencendo os dois lances de escada. Não que eu me importe em subir os dois lances... Mas, me colocando no lugar de um cliente idoso ou deficiente físico, penso o quanto eles devem se sentir "especiais" para o dono do restaurante. Ou, vai ver, não são bem-vindos mesmo.

Como se ir ao banheiro no terceiro andar já não fosse inconveniente o suficiente, o trajeto nos obriga a passar pela porta da cozinha (no segundo andar) num estreito corredor aonde ficam os aparadores para os pratos recém-preparados. Então, dependendo do momento em que você passa, corre o risco de ficar se acotovelando com um - ou mais - garçons equilibrando pratos quentes escadas abaixo.

Do ponto de vista higiênico, também não me sinto confortável com a idéia de que a comida fica esperando o garçom no mesmo corredor que os clientes passam para ir ao banheiro. Um sacana poderia facilmente roubar - com as mãos - uma batatinha do meu prato, no caminho de volta de um xixi respinguento.

A cozinha em si é mínima, bastante bagunçada. Coloquei a cara na janelinha da porta, e todos os funcionários (incluindo alguns que estavam lá só para bater papo) me olharam com espanto. Não analisei detalhadamente, mas o aspecto geral não me agradou.

Justiça seja feita, a padaria (no terceiro andar) é bem mais arrumada, clara e aparentemente limpa que a cozinha. E os funcionários, mais simpáticos.

Padaria = forno. Forno = calor. Basta um spray de eucalipto e uma ducha, pra escadaria poder ser considerada a sauna mais verticalizada que já conheci. Não bastasse ter que subir dois andares, ainda é obrigado a fazê-lo no calor. Num dia quente de verão, é melhor não beber muito, para economizar funções fisiológicas.

Ah sim. Quando voltei para a mesa, comentei sobre a cozinha e as escadas, e fui ouvido por uma garçonete. A sobremesa e o cafezinho foram saboreados sob um intenso olhar desconfiado.