sábado, 27 de junho de 2009

Meza Bar - Botafogo

Fui ao Meza Bar pela primeira vez há uns 3 meses, após fortes recomendações de duas amigas (e leitoras).

O lugar tem um clima bem novaiorquino, com decoração bem clean, pé direito alto, bancos no bar, mesinhas e um canto com sofás para receber um grupo maior.

Na minha primeira visita, com um grupo de amigos, sentamo-nos no balcão do bar, no qual trabalha o Gustavo, antigo barman do Zerozero. Como já o conhecia (ele já me "derrubou" com seus drinks uma vez no 00), batemos um papo e ele me explicou que o forte da casa são os drinks, a maioria criações dele e do chef, Fabio Battistella. Fui na dele, e pedi para nos surpreender.

Como estávamos em um grupo de 5 pessoas, ele basicamente fazia 5 drinks diferentes por rodada e nós intercambiávamos os copos. Foi uma boa maneira de provar vários drinks, e ainda aproveitei para pegar umas dicas e sacar uns truques de barman.

Nesse primeiro dia, já chegamos jantados, então não provamos as comidinhas. Apenas no final da noite, pedimos uma bruschetta e, como sugestão do chef, uns bolinhos de risoto. Ambos maravilhosos.

Fiquei muito satisfeito com o serviço. Chegamos um pouco tarde, então todas as mesas já estavam ocupadas. Pusemos o nome na lista de espera e fomos para o bar. Durante a noite, o host volta e meia vinha nos oferecer uma mesa, mas já estávamos muito bem ambientados e preferimos ficar por ali mesmo. Ainda assim, ele não deixou de oferecer as mesas, conforme iam sendo liberadas, sempre falando muito bem, educado e atencioso.

No bar, ganhamos algumas rodadas de shots, cortesia da casa. Fiquei pensando como esse é um artifício para agradar o cliente tão pouco explorado. Diferentes daquela saideira que os clientes costumam pedir após pagar a conta, e comumente é trazida a contragosto pelo garçom, os shots oferecidos foram espontâneos, praticamente um "mimo" do bartender. Dessa forma, ele capturou a atenção a a simpatia de um punhado de clientes que já estava ali consumindo horrores e que, animados com a boa recepção, consumiram ainda mais.

Como exemplo, ele fez um "shot de Cosmopolitan". Uma pequena amostra do famoso drink que, sem surpresas, agradou às mulheres do grupo e estimulou-as a pedirem Cosmopolitans completos. Surpreendeu, agradou, vendeu. Genial.

Nessa minha primeira visita, ficamos só nos drinks e belisquetes. Isto, aliado ao fato de a casa se chamar Meza Bar, fiquei com a imagem de um bar, e achei que não devia blogá-lo.

No entanto, em uma segunda visita, fiquei maravilhado com os pratos servidos. Na verdade, eles se chamam "potinhos", e são basicamente pequenas porções, servidas em bowls tipo de sobremesa.

Da mesma forma que fiz com os drinks, sugeri aos meus amigos que fizéssemos uma pequena suruba gastronômica, e pedimos ao chef que nos trouxesse seis diferentes potinhos, escolha dele. Dito e feito, todos provamos os seis pratos. Todos espetaculares. Só nao repetimos nenhum, porque pedimos uma nova rodada de seis potinhos diferentes.

Recomendações pessoais: Tartar de atum, Carne Oriental, e Polenta com Ragú de Calabresa. Do bar, Mangotini, Apple Mojito e um shot de Vodka com Grenadine e Tabasco.

Meza tem o ambiente, o serviço e a cozinha perfeitos. Agora que já o considero um restaurante, por mais informal que seja, pude visitar a cozinha e postar.

Minha visita foi bem no final da noite, mas achei-a bem limpa e organizada. Fiquei muito impressionado com o tamanho da cozinha, bem ampla. Os equipamentos são novos, limpos. Todos os cozinheiros uniformizados e limpos, calçando Crocs. Até mesmo na cozinha, todos os funcionários foram bem simpáticos, o que me faz crer que seu treinamento, bem como o clima empresarial seja bem direcionado à satisfação do cliente.

Thumbs up pro Meza Bar!


terça-feira, 16 de junho de 2009

Espelunca Chic - Gávea

O motivo desse post não chegou a ser uma visita... Mas paranóia mesmo.

11 da manhã, caminhando para o trabalho, passo na porta do Espelunca Chic, que acabava de abrir. Do lado de fora, apoiado com uma das mãos contra a parede e fumando com pose de galã, está um cozinheiro do restaurante.

De luvas.

Passo direto, ainda maquinando o que aconteceria dali em diante. "Ah não... eu sou perverso demais... Ele não faria isso..."

Ou faria?

Meia volta, volver. Entro no Espelunca e peço uma Coca Light. Não tem, só Pepsi. (off-topic: Quem ainda bebe Pepsi??). Me dá um guaraná diet, então.

Menos de 10 segundos depois, o cozinheiro joga o cigarro no meio da rua (óbvio), volta pra dentro do restaurante e...

e...

COMEÇA A TEMPERAR COMIDA! Com as mesmíssimas luvas imundas que seguravam cigarro, apoaiavam na parede e nem quero pensar o que mais...

Na falta do gerente, chamo a atenção da caixa, que não deu a menor importância. Falei alto o suficiente para o cozinheiro porcalhão ouvir, ao que ele respondeu "Ok, é só LAVAR..."

Vou voltar e falar com o gerente/dono.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Pizzaria Bráz - Jardim Botânico

Eu não planejo falar várias vezes sobre o mesmo restaurante, para não parecer que estou querendo promover ou denegrir alguém. A idéia é só fazê-lo em casos especiais, como uma resposta do restaurante, ou na constatação de grande mudança. 

Mas o que aconteceu na minha última (e dessa vez ÚLTIMA mesmo) visita à Braz foi tão surreal, que acho que vale a pena contar. Para quem ainda não leu, eis o link para o primeiro post da Pizzaria Braz.

Cheguei lá com um amigo, pedimos dois chopps, uma entradinha (já desistimos do pão com calabresa fantasma) e uma pizza. Chegados nossos chopps, avistamos um senhor "à paisana" logo atrás do balcão, como quem está supervisionando as coisas, mas sem parecer muito ocupado. Perguntamos a um dos garçons se ele era o dono, o que nos foi confirmado.

Em geral, acredito que "donos" são mais interessados em ouvir a opinião do cliente e fazer algo a respeito, pois o gerente pode temer pelo seu emprego, ou simplesmente não dar a mínima mesmo. Pensando nisso, achei que seria legal bater um papo com o dono, contar minhas impressões, etc. Seria ótimo para ele saber o que eu penso, mesmo que ele discordasse. Já que ele não parecia estar ocupado, nem conversando com ninguem, resolvi chamá-lo para um bate-papo.

Usando das vias protocolares, chamei o maitre e disse:
- Eu adoraria conversar com o dono... Será que você pode dizer para ele que estamos convidando-o para tomar um chopp conosco?

O maitre faz uma cara "meio-com-peninha" e diz:
- Ahhhh... Ele ACABOU de ir embora... Se tivesse me falado há três minutos atrás...
- Ué... O dono não é aquele cara ali? - Falei, apontando pro sujeito atrás do balcão.

O maitre muda a cara para "ihh, me pegou", e vai até o camarada do balcão. Parece estar transmitindo nosso convite. 

Em seguida, retorna à nossa mesa e diz:
- Lamento... Ele agradece o convite, mas ele não bebe.

Tentando disfarçar minha incredulidade com a desculpa mais esfarrapada de todos os tempos para tamanha deselegância, retruco:
- Não tem problema... Ele pode tomar uma Coca, uma água, ou nada... Mas diz pra ele que estamos convidando-o para sentar e conversar conosco por 5 minutos.

O maitre faz um cara de "vou tomar um esporro, mas tudo bem..." Volta ao patrão, e agora já parece estar negociando uma solução. Retorna à mesa e diz:
- É que na verdade ele é o técnico de informática da casa, e não pode se sentar com cliente.
- Ué. Me disseram que ele era o dono.
--- cara de "ih, caramba, como eu saio dessa??"

Aí, já me aborreci, e perguntei um pouco mais enfaticamente:
- Ele É OU NÃO É o dono???
- Eh... É sim senhor... Mas ele não vai vir aqui não- Ele responde completamente constrangido.

Diante da situação mais ridícula possível, só me restou perguntar quanto custaram os dois chopps que tomamos, pegar os R$ 10,00 e jogar sobre o balcão onde repousava o desocupado, desinteressado, deselegante e agora desrespeitoso "Poprietário" do restaurante onde nunca mais ponho os pés.

Dali, fomos para a vizinha Capricciosa, onde deixamos de tomar chopp, pedimos um bom vinho, e gastamos nosso dinheiro mais felizes.

Alessandro & Frederico Pizzaria - Ipanema

Domingo  foi dia de passeio no calçadão, almocinho em Ipanema, bater perna e jogar conversa fora. Elegi o Alessandro & Frederico para o programa. Vou chamá-lo de A&F para encurtar o post. 

Sempre achei os pratos do A&F muito bons. Entradas, pizzas, panini, massas. Adoro.

Acabo de me lembrar que tem dois A&F's em Ipanema. Aliás, ambos na mesma rua. Pelo site, descubro que um é "A&F Café" e o outro "A&F Pizzaria". É desse último que vou falar, o na esquina da Garcia D'Ávila com Barão da Torre. Se não me engano, é o primeiro da rede.

E, como "primeiro da rede", já está mostrando os sinais da idade, especialmente naquilo que mais me atraiu quando passei na porta pela primeira vez: A programação visual (e, consequentemente, a decoração) em preto-e-branco. Quem já foi na minha casa sabe que eu gosto muito desse estilo, também já usado pelo finado J. Bar.

Apesar de visualmente muito interessante, o estilo tem um grande downside, que é requerer uma manutenção mais cuidadosa, pois o que chama a atenção é o constraste entre as cores opostas. Quando esse contraste diminui, os defeitos gritam.

E é exatamente o que está acontecendo com o A&F em questão. O toldo preto, que dá boa parte do charme para quem olha de fora, está desbotando, manchado. Associado a isso, a pintura interna também já está pedindo um retoque. As paredes "brancas" já se mostram num tom encardido, especialmente nos cantos perto de móveis. Parece que, ao passar um paninho para limpar a madeira, o faxineiro acaba manchando a parede. Além disso, olhando acima do balcão, eles poderiam ter caprichado mais no acabamento e pintura. As colunas da varanda, enferrujam sob a tinta.

Mas isso é apenas uma impressão visual que provavelmente só percebi por estar procurando erros. Não é nenhum demérito ao lugar, mas poderiam aproveitar como sugestão.

O atendimento foi muito tranquilo, os garçons educados, preparados e atenciosos. Comida excelente. No balcão, chocolatinhos em caixinhas e pães de abrir o apetite.

Mas tem uma coisa que eu acho muito desagradável em qualquer estabelecimento. O banheiro é no terceiro andar, e só se chega lá vencendo os dois lances de escada. Não que eu me importe em subir os dois lances... Mas, me colocando no lugar de um cliente idoso ou deficiente físico, penso o quanto eles devem se sentir "especiais" para o dono do restaurante. Ou, vai ver, não são bem-vindos mesmo.

Como se ir ao banheiro no terceiro andar já não fosse inconveniente o suficiente, o trajeto nos obriga a passar pela porta da cozinha (no segundo andar) num estreito corredor aonde ficam os aparadores para os pratos recém-preparados. Então, dependendo do momento em que você passa, corre o risco de ficar se acotovelando com um - ou mais - garçons equilibrando pratos quentes escadas abaixo.

Do ponto de vista higiênico, também não me sinto confortável com a idéia de que a comida fica esperando o garçom no mesmo corredor que os clientes passam para ir ao banheiro. Um sacana poderia facilmente roubar - com as mãos - uma batatinha do meu prato, no caminho de volta de um xixi respinguento.

A cozinha em si é mínima, bastante bagunçada. Coloquei a cara na janelinha da porta, e todos os funcionários (incluindo alguns que estavam lá só para bater papo) me olharam com espanto. Não analisei detalhadamente, mas o aspecto geral não me agradou.

Justiça seja feita, a padaria (no terceiro andar) é bem mais arrumada, clara e aparentemente limpa que a cozinha. E os funcionários, mais simpáticos.

Padaria = forno. Forno = calor. Basta um spray de eucalipto e uma ducha, pra escadaria poder ser considerada a sauna mais verticalizada que já conheci. Não bastasse ter que subir dois andares, ainda é obrigado a fazê-lo no calor. Num dia quente de verão, é melhor não beber muito, para economizar funções fisiológicas.

Ah sim. Quando voltei para a mesa, comentei sobre a cozinha e as escadas, e fui ouvido por uma garçonete. A sobremesa e o cafezinho foram saboreados sob um intenso olhar desconfiado.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Resposta - Manekineko Itanhangá

Ontem recebi uma resposta do Manekineko ao meu post sobre a loja do Itanhangá. Reproduzo-a abaixo, ipsi literis. Em seguida, alguns comentários:

Sérvio,

Agradecemos imensamente sua contribuição para conosco. Não conseguimos lançar nossa resposta no Blog.

Buscamos monitorar nossos restaurantes através de câmeras instaladas em todos os setores a fim de garantir a máxima atenção e higienização dos funcionários em todos os processos.

Seguimos todas as Normas da Vigilância Sanitária e temos em nossa empresa os setores/equipes de Segurança Alimentar, Operacional, de Culinária e de Qualidade (16pessoas no total nestes 4 setores) empenhados para alcançar os padrões de qualidade desejados. Além de termos uma Central de manipulação distribuição própria para toda a rede. Recebemos frequentemente visitas do Órgão que emite laudos totalmente satisfatórios.

Nossa gerente ao leva-lo às nossas dependências seguiu a norma, colocando sua touca também.

Seguimos um plano de higienização – rotina de limpeza - e neste fica definido que os setores devem ser lavados com freqüência, principalmente a cozinha a fim de evitarmos acúmulos de resíduos. Os colaboradores utilizam botas de borracha branca (cor tb exigida pela Vigilância) para evitarem contato com o chão molhado e os produtos químicos usados. O chão molhado é quase uma freqüência , pois em nossa rotina de limpeza este é bastante lavado e no período escolhido para visita, encontrávamo-nos em processo de fechamento.

No sushibar ao final da noite recolhemos todas as sobras de pontas de makimonos que você verificou e então pesamos e incluímos numa planilha de perdas. Todas as pontas que por ventura sobrem, são desprezadas.

Na copa o funcionário é bastante vigiado para que faça assepsia adequada de suas mãos.

As sobremesas são pouquíssimo manipuladas neste setor, havendo somente retirada de bolas de sorvete e aquecimento de brownie. As demais são feitas na cozinha. As hortaliças usadas na decoração vem acondicionadas em embalagens próprias e já higienizadas, sendo apenas colocadas na decoração no momento de saída do prato. De qualquer forma ficaremos bastante atentos a assepsia das mãos dos colaboradores do setor.

Os tonéis azuis virados de cabeça para baixo na cozinha são extremamente necessários para empresas amigas do meio ambiente que recolhem e doam o óleo usado para fábricas de sabão e vidro. Não jogamos no ralo/esgoto como muitos locais fazem, a fim de contribuirmos com um planeta melhor para todos.

Estudamos outras ações a fim de melhorarmos ainda mais neste quesito.

Vamos fazer melhorias na nossa área de delivery conforme sugestão e o convidaremos para retormar quando estiverem prontas. Mudaremos as cadeiras por bancos de plástico menores e aumentaremos a iluminação.

Ficamos muito contentes que tenha gostado do cardápio, pratos, atendimento e da nova reforma. Buscamos sempre nos esforçar e fazer ao máximo para termos os nossos clientes satisfeitos. 

Serviço de Atendimento ao Cliente

Manekineko Restaurante

 

Bom... Eu gostei muito de receber uma resposta. Como eu já disse, acho que o Manekineko manda muito bem em termos de relacionamento com o cliente. Reconhecer erros e prometer consertá-los é algo raro, e demonstra o comprometimento com a qualidade e satisfação.

A única coisa que me aporrinhou na resposta deles foi dizerem que a gerente também pôs touca ao entrar na cozinha comigo, se isso não aconteceu. Ora, na mesma hora eu notei (e ANOTEI) isso, afinal já vinha com esse ranso do Braz.

Sobre a cozinha molhada... Hmmm... No exato momento em que entrei, não havia ninguém ativamente LAVANDO a cozinha. Se alguém já TINHA LAVADO, tenho a impressão que já deveria ter SECADO também (ao menos passado um rôdo). O chão não estava úmido. Estava molhado, empoçado. Além disso, quando entrei na cozinha não era muito tarde, e ainda haviam várias mesas ocupadas, contrariando o que disseram sobre estarem em "processo de fechamento". Isso também se aplica aos makimonos que, segundo a resposta, estariam prontos para descarte. Não era final de noite.

Sobre os tonéis azuis... Muito legal o lance do descarte do óleo. Já vi um restaurante que jogava o óleo no BUEIRO logo em frente. Ponto pra eles, apesar de achar que eles estavam desnecessariamente bagunçados. Apenas aspecto visual mesmo.

Eles não comentaram nada sobre as falhas na obra do bar sobre as quais falei. Vamos ver se, quando me convidarem para conhecer as mudanças, terão mexido nisso também.

Concluindo, o simples fato de SE IMPORTAREM já é um grande diferencial.


segunda-feira, 23 de março de 2009

Yumê - Jardim Botânico

Frequento o Yumê desde a época em que era Ms. Tanaka. É, de longe, meu japonês preferido.

A comida é sempre excepcional - destaque para as ostras a milanesa e para a lula recheada - e o atendimento muito bom.

O ambiente é muito agradável, em especial o salão nos fundos, com o lago de carpas sob nossos pés e a clarabóia retrátil que permite jantar ao ar livre. O salão principal e a área de tatames também são muito bacanas.

Agora, o bacana mesmo é a cozinha, toda com paredes de vidro. Qualquer cliente que vá ao banheiro, ou para o salão dos fundos passa pela cozinha e pode ver tudo o que acontece ali dentro. 

Mas tostines vende mais porque é fresquinho...? Ou será que a cozinha é tão limpa porque o público vê? Não importa. O resultado é o que interessa, e a cozinha do Yumê está sempre um brinco, como dizia vovó. 

Usando um trocadilho bem infame, esse é um ótimo exemplo de TRANSPARÊNCIA, em que a casa se orgulha de mostrar que não tem nada a esconder. E, se deixar tudo à mostra faz com que os funcionários sejam mais organizados e limpos, será que os donos de restaurante não deviam aproveitar e fazer disso um ARTIFÍCIO para treiná-los?

Lei para cozinhas transparentes já!

É claro que o Yumê tem uma copa reservada. Afinal, ver a comida sendo feita é uma coisa. Ver os pratos sendo lavados, já não interessa tanto ao público e eu apóio isso 100%. Na minha última visita ao lugar, pedi para conhecer a copa.  Fui bem recebido pela garçonete que me conduziu, assim como pelos funcionários do setor. 

Local limpo, tão organizado quanto se pode esperar de uma copa. Pratos limpos mantidos longe dos sujos, como deve ser. Fiquei bem impressionado, e saí com a certeza que o proprietário é tão cuidadoso com os bastidores quanto com a vitrine. 

Se eu tive alguma má experiência com o restaurante, foi quando ainda era Ms Tanaka, então não posso atribuir ao Yumê, seria injusto. Mas, apenas para registro, em uma ocasião o "door" me recebeu muito mal, aparentemente porque eu e meus amigos estávamos de bermudas, tendo ele nos olhado de cima a baixo com cara feia antes de nos "permitir" entrar. Mas, mais uma vez, isso foi sob a antiga administração, aconteceu apenas uma vez, e eu nunca mais vi o tal door por lá.

Se coube alguma crítica ao Yumê, foi o fato de o banheiro que usei não ter chave (ou qualquer outra forma de trancar a porta). Assim, tive que "resolver o que tinha ido resolver" segurando a porta com um dos pés, evitando um susto. Uma coisa que eu sugeriria a eles é que fizessem algum tempo de abafamento acústico no salão principal. O teto é totalmente plano, o que torna o ambiente barulhento mesmo com pouca gente. Fácil solução, e deixaria o local ainda mais agradável.

Emporium PAX - Shopping da Gávea

Costumo comer pelo menos uma vez por semana no Emporium Pax, pois trabalho bem perto do Shopping da Gávea. Eu não saberia, ainda, como chamar a categoria em que ele se encaixa, mas seria a mesma do Gula Gula, Delírio Tropical e do Doce Delícia. Por enquanto vou chamar de cozinha informal-bacana.

Bom, como já comi lá muitas vezes, meu relato é, na verdade, uma compilação de impressões que colecionei nas várias visitas. Talvez seja um dos relatos mais completos que eu tenha para compartilhar. Já vi muitas coisas reprováveis, mas que, isoladamente, não seriam dignas de post. O que acontece é que HOJE, no almoço, a coisa ficou tão grave que fui avisar à dona.

O atendimento lá é sofrível. Os garçons, com uma única exceção, estão sempre com cara de enterro. Juntam-se em um canto para conversar, ignorando os clientes. Algumas mesas ficam em um "ponto cego", de onde já tive que me levantar para chamar um garçom.

Recentemente contrataram um mâitre. Um camarada tacanho, sem voz, que eu nunca - repito: NUNCA - vi abordar uma mesa recém-sentada para dar boas vindas ou coisa que o valha. Sua única função parece ser desfilar seu terno de um lado para o outro com 6 cardápios na mão. Todo o ritual parece ficar por conta dos garçons, que não são exatamente ágeis ou atenciosos.

Pede-se uma salada, e não trazem azeite. Pede-se o azeite, eles esquecem. A conta SEMPRE demora mais que o razoável. O cafezinho fica esperando no balcão, apesar de o garçom ir e voltar várias vezes. Já tive que alertar o garçom: "será que você pode trazer o meu café que está esfriando ali em cima?".

Eu costumo almoçar bem cedo. Em geral chego por lá logo após o meio-dia. Em diversas ocasiões ainda não haviam garçons para atender as primeiras mesas. Há uns dois meses atrás, acabei sendo atendido pela dona - essa com quem reclamei hoje - naquela que foi, provavelmente, a situação mais constrangedora que já passei lá. Ocorre que aquela senhora veio nos atender com um misto de pressa e insatisfação pela ausência de seu staff, deixando-nos muito desconfortáveis. Para piorar, ela estava com uma meleca saltando da narina. Ok, isso acontece com todo mundo, então não foi algo GRAVE, apesar de nojento e contrangedor. Mas eu e meu sócio ficamos muito desconfortáveis, fazendo nossos pedidos sem conseguir olhar para ela - na real, pra segurar o riso.

Segurança alimentar parece ser desconhecido para eles. Já chamei a atenção do gerente em duas ocasiões:

Na primeira, havia um técnico fazendo manutenção do ar-condicionado. Ele estava em cima da escada, e havia uma peça no chão que ele precisava. Em vez de descer e pegar, ele pediu para alguém alcançá-la para ele. A prestativa garçonete então se abaixa, pega a peça - completamente empoeirada -  e entrega ao técnico. Em seguida, ela limpa a mão na roupa, e vai servir uma bebida em uma mesa. Nesse dia avisei ao gerente, que mandou ela lavar a mão. Passei o resto do almoço recebendo olhares desconfortáveis.

A outra ocasião foi hoje mesmo. Da minha mesa eu via o ponto onde os garçons se juntam para conversar. Um deles cutucou o nariz pelo menos umas 4 vezes, removendo alguma coisa que ele jogou no chão. Meleca, óbvio. Fiquei de olho e não falei nada, até que ele resolveu arrumar uma mesa. Ou seja, o dedo melecado ia manipular copos, pratos, guardanapos. Então, chamei outro garçom e falei "por favor, avise ao seu colega que o vi tirando meleca, e peça pra ele lavar as mãos antes de arrumar a mesa". Dito e feito, o rapaz lavou as mãos e ficou esfregando-as uma contra a outra, logo na minha frente, como quem quer deixar BEM CLARO que o fez. 

Como disse, hoje foi um dia infeliz para eles. Já irritado com o que tinha visto, passei a ficar de olho - neurótico, digamos. E vi que a copeira usava luvas de látex para cortar as quiches e organizar a estufa. Mas, aparentemente, as luvas não serviam para proteger a comida, mas sim para não sujar as mãos dela. Digo isso porque ela usava a mesmíssima luva para pegar objetos, juntar restos do balcão, se apoiar na prateleira para alcançar os pratos lá em cima, etc. Ou seja, os dedinhos dela ficam limpos, enquanto sujeira de tudo o que ela toca vai parar na comida.

Logo em seguida vejo a dona atrás do balcão, organizando as sobremesas na vitrine."Ah, agora vão se comportar melhor" - penso. Afinal, com a patroa por perto, todo mundo trabalha mais bonito, né? Pensei em chamá-la num canto, dar uns toques sobre o que tinha visto, etc. Quem sabe isso ajudaria? Mas eu acabara de pedir a conta, e ainda estava tomando meu café. Quando olho novamente, ela pega uns restos de fios d'ovos que estavam sobre o balcão, junta-os com as mãos, e salpica de volta para cima de um doce. COM AS MÃOS!

Aí, não aguentei. Fui até ela e disse "Não me surpreende que seus garçons tirem meleca no salão, sua copeira toque em objetos sujos com a luva de manipular comida, etc, quando a SENHORA não dá o exemplo, pegando fios d'ovos com as mãos e jogando de volta sobre a comida."

Ela entrou numa de bater boca comigo, negando o que eu havia acabdo de ver. Aí percebi que ela realmente não dá a mínima e que qualquer crítica seria apenas vista como esporro, e não uma oportunidade de melhorar. Empresários assim nem merecem meu esforço. Portanto, esse post é meramente um alerta aos desavisados. Eles não vão mudar, e eu não como mais lá.

Uma pena, pois a comida é sempre muito boa, e o cafezinho um dos melhores da Gávea.

Em tempo: eu AINDA não fui conhecer a cozinha deles. Updates em breve.

terça-feira, 10 de março de 2009

Papo de Boteco

Um bocado de gente tem me perguntado se pretendo escrever sobre barzinhos. A princípio, eu não pretendo falar sobre botecos. Acho que não vou falar nada de tão surpreendente sobre o Clipper, o Jobi ou o Bracarense, por exemplo.

Na real, o que acontece é que eu não posso usar os mesmo "padrões de qualidade" ao avaliar o Sushi Leblon e o ao avaliar o Jobi. São categorias completamente diferentes, nas quais se têm diferentes expectativas de serviço.

Algo que seja perfeitamente aceitável em no Jobi pode ser o maior dos absurdos no Sushi Leblon. Uma grande virtude deste último seria encarada como frescura descabida no primeiro. Ou seja, o rigor com que avalio o serviço de um estabelecimento é diretamente proporcional à expectativa que ele transmite.

A princípio, pretendo me ater a restaurantes, em especial àqueles que frequento normalmente. Não vou passar a frequentar o Fasano apenas para ter assunto. Quando uma oportunidade diferente surgir, não deixarei de aproveitar.

 Futuramente, pode ser que comece a falar de barzinhos "pé-limpo" (como o Informal, Devassa ou Belmonte). Antes disso, pretendo desenvolver melhor os parâmetros de avaliação em cada categoria.


segunda-feira, 9 de março de 2009

Juice & Co. - Leblon

Sábado agora almocei no Juice & Co.

Já fui lá muitas vezes, e sempre gostei muito das experiências. O ambiente é bem cool, com destaque para as hipnóticas lâmpadas decorativas no teto e para a trilha sonora. A iluminação e os bancos do bar também dão um toque muito bacana ao visual do restaurante.

Os sucos servidos são maravilhosos, com uma variedade enorme de misturas de frutas disponível no cardápio. Com exceção dos chips de mandioca, tudo o que comi lá, até hoje, me agradou. A apresentação dos pratos é impecável e o cardápio muito bom. Mas o blog não é sobre comida, então vamos ao que interessa.

Dessa vez, fui preparado para más surpresas. Afinal, em geral é o que tenho tido quando estou à procura de "defeitos" nos restaurantes. 

Devido ao horário, no meio da tarde, a casa estava vazia. Sentamo-nos na mesa que nos pareceu mais confortável e pedimos dois sucos. O meu, com tangerina na "fórmula" foi prontamente criticado pelo garçom:
- Senhor, não estamos na época de tangerinas, então seu suco pode ficar um pouco mais amargo que o normal. O senhor quer assim mesmo, ou prefere um outro?
Ponto pra ele. Muito melhor que servir o suco que eu pedi, e depois constestar minha provável reclamação, culpando-me por ter escolhido uma fruta fora da estação, não é? 

Pedimos a entrada e pratos principais, além de um segundo suco. A todo momento havia um garçom atento ao salão. Em geral, quando o lugar está muito vazio, os garçons tendem a bater papo e prestar menos atenção aos clientes. No Juice & Co., havia sempre um deles de prontidão.

O atendimento foi célere e preciso. Levavam pratos e copos sujos no tempo certo. Eu ODEIO quando você mal acaba de comer e um garçom desesperado vem tirar seu prato. Também odeio ficar com o prato sujo na mesa por mais tempo que o necessário.

Ao pedir para visitar a cozinha, o garçom pareceu um pouco surpreso, mas concordou imediatamente. Sem alertar a equipe sobre minha chegada, ele me convidou ao segundo andar (eu achava que a cozinha era no primeiro, mas ali é um monta-carga).

Apesar de um pouco surpresos, os funcionários me receberam com muita simpatia. Mostraram-me cada parte da cozinha, cujo aspecto geral me impressionou muito bem. Chão seco e limpo, ingredientes devidamente refrigerados e tampados, e tudo arrumado de forma bem aceitável. Todos com suas roupas e aventais bastante limpos. (nota: talvez valha a pena repetir a visita em um horário mais avançado, para ver se as condições são as mesmas).

No geral, os equipamentos me pareceram bem conservados. Chamou-me a atenção que algumas panelas estivessem chamuscadas, mas suponho que isso seja normal, com o tempo de uso. Em cinco minutos de tour pelos bastidores, não vi nada que pudesse chamar de comprometedor.

Saí contente com o fato de a minha visita não ter gerado maiores críticas. Aos que dizem que reclamo de tudo, aí está um bom exemplo de que isto não procede. Quando merecem, elogio mesmo, inclusive pessoalmente para a equipe e a gerência, então assim o fiz.

Devo, no entanto, mencionar dois pontos negativos: Não existe rampa de acesso na entrada principal e os banheiros ficam no segundo andar da casa, o que imagino que possam criar problemas de acessibilidade. A segunda, é que o ar-condicionado split forma gotas de condensação que pingam sobre quem está sentado logo abaixo. Ambos fáceis de resolver.

Enfim, Juice & Co. está altamente recomendado por esse que vos escreve.

Manekineko - Itanhangá

A rede Manekineko é, provavelmente, a que eu mais frequentei (em japoneses) até hoje. Se encontra em um patamar custo / benefício excelente. Cozinha muito boa, com preço não exorbitante. Sempre que me perguntam, recomendo como o melhor rodízio de comida japonesa. Verdade que não é o mais barato, mas é o menos merrequeiro. Não tem nada pior que um restaurante que entope o sushi de arroz, ou não serve sashimi no rodízio, para economizar peixe.

É, sem dúvida, a melhor opção para um encontro de amigos, jantar casual, etc.

Eu vejo o Manekineko como um dos mais competentes, do ponto de vista de Marketing. Seu programa de pontos é muito interessante e bem divulgado (inclusive com o bônus que você ganha a cada prato sendo exibido ao lado do preço, no cardápio). Enviam convites especiais no mês do seu aniversário, disponibilizam e encorajam o uso da ficha de sugestões / reclamações e supreendem com promoções, como uma que colocou "caixinhas de presente" na entrada do restaurante, para os clientes pegarem e ganharem alguma coisa - como um prato ou um drink. Quem não chega mais animado a um lugar como esses?

Então, resolvi visitar a loja do Itanhangá com "olhos de blog". Fui com minha amiga F., em um dia de semana. Muito bem recebidos, a gerente simpática, sorridente e os garçons atenciosos.

O restaurante passou por uma reforma recentemente, tendo agora um bar no canto esquerdo, onde ficavam os tatames. O sushibar agora é mais modernoso, com 3 TVs LCD e balcão Piano-Black, com uma fenda por onde se vêem as cabeças dos sushimen e fundo vermelho. No duro, deixou de ser um sushibar, pois não dá mais para sentar no balcão e ver a comida sendo preparada. Mas, arquitetonicamente, ficou muito interessante.

Infelizmente, algumas coisas deixaram bastante a desejar. A primeira delas é o projeto de iluminação, muito ruim. A nossa mesa estava super clara, com luz direta que refletia no tampo de vidro e incomodava, enquanto na mesa ao lado, os clientes usavam - LITERALMENTE - uma lanterninha para ler o cardápio e a conta. Quando vi isso é que passei a prestar atenção ao resto, e todo o restaurante tem pontos claros demais e pontos escuros demais. Um desastre.

Além disso, haviam problemas sérios de acabamento. O teto sobre o novo bar estava com grandes remendos no gesso, sem pintura. Fiquei bastante surpreso com o desleixo nesse caso. Um dos painéis acústicos (ou decorativos, sei lá) que ficam pendurados no teto estava tão torto que dava vontade de subir em uma mesa e consertar. (ok, TOC minha. Mas não justifica terem deixado daquele jeito).

O cardápio do Manekineko é - quase - de se bater palmas. Visualmente apelativo (no BOM sentido), com lindas fotos dos pratos, colorido, layout de muito bom gosto. Com isso em mente, resolvi lê-lo de cabo a rabo, na certeza que encontraria - finalmente - o cardápio perfeito. Mas nem o Manekineko escapou de uns errinhos ortográficos. Por isso o "quase" do começo do parágrafo.

Mais uma vez gostaria de tecer elogios ao banheiro. Limpo, com visual moderno, ainda surpreende com uma cestinha com escovas, pasta de dentes e fio dental. Afinal, quem quer sair de um date com gosto de peixe na boca, ou gergelim entre os dentes?

Duas pequenas falhas no atendimento: Pedi uma bebida que foi ignorada e o Hot Philadelphia veio sem raiz forte. Ambos rapidamente - e pessoalmente - solucionados pela atenciosa gerente. No geral, a comida estava, como sempre, muito boa.

Ao final, o "eu gostaria de conhecer a sua cozinha". Ligeiramente surpresa, a gerente assentiu e disse que buscaria a minha touca (mais uma vez, só cabelo de cliente que cai), me convidando a entrar para um rápido tour. 

Muito honestamente, fiquei mal impressionado com a cozinha. O chão estava completamente molhado, sem que houvesse sinal de que estava sendo lavado, e havia muita bagunça. Pelo chão, por baixo das bancadas, muita coisa que não precisava estar ali, como uns tonéis azuis virados no chão, cadeiras empilhadas (diferentes das do salão, me fazendo crer que eram cadeiras "de serviço"). A área de "preparo para delivery" parecia um depósito. Feio, escuro e bagunçado.

O sushibar, agora visível apenas por dentro, parecia limpo. No entanto, havia uma pilha de Makimonos (que são pré-enrolados e cortados apenas na hora de servir) desnecessariamente fora da vitrine refrigerada. 

O que mais me incomodou, na verdade, foi a copa, onde são preparadas as sobremesas e o cafezinhos. O que me pareceu mais grave é que o funcionário que faz essas coisas é o mesmo que limpa as bandejas (removendo restos de comida, guardanapos e hashis usados, entre outras potenciais porcarias) e lava a louça. E ele não me pareceu fazer o tipo "lavo minhas mãos a cada mudança de função".

Concluo que o Manekineko (ao menos o do Itanhangá) é um bom exemplo do objetivo do meu blog. Nem sempre aquilo que impressiona e agrada ao público é reflexo do que acontece nos bastidores. 

Continuo gostando e não pretendo deixar de frequentar o Manekineko. Até porque quero avaliar as demais lojas. Só vou pensar duas vezes antes de pedir sobremesa.

Update: O SAC do Manekineko respondeu ao meu post. Publiquei a resposta no blog.

Pizzaria Braz - Jardim Botânico

A Braz é uma pizzaria original de São Paulo, que abriu recentemente sua primeira filial carioca, no Jardim Botânico. É desses lugares que você já vai com disposição para esperar na fila. Aliás - ponto a favor - a Braz oferece uma área externa bastante aconchegante para a espera, onde você pode pedir uns belisquetes ou uma bebida para ajudar a passar o tempo. Desde que não chova.

Deixando de lado demais detalhes arquitetônicos que, sim, são positivos, gostaria de dar destaque ao banheiro masculino, que tem uma área aberta, como um jardim de inverno, com bancos e plantas. Além de permitir o fumo e socialização no banheiro (para quem gosta), ainda serve como um excelente escape para maus odores. (Suponho que o feminino seja parecido, mas infelizmente não o conheci).

Minha visita à Braz foi a primeira em que resolvi exercitar o "Quero conhecer a sua cozinha". Na verdade, até então a idéia era apenas latente. Mas a inacreditável discussão que tivemos com o gerente da casa acabou despertando o impulso, e a visita acabou acontecendo.

Primeiro a discussão. A Braz serve uma entrada maravilhosa - pão de calabresa. Perfeita para molhar no maravilhoso azeite com alho feito por eles mesmos. O negócio é tão bom, mas tão bom, que é o ÚNICO item do cardápio que tem uma caixa ao seu redor, destacando-o dos demais. E custa coisa de R$ 90,00 (peça inteira), sendo vendido também em fatias.

Chegamos na pizzaria já pensando - salivando - e pedindo o tal pão de calabresa. Mas, broxada das broxadas, fomos informados que já tinha acabado.

Como assim? Que frustração! Chama o gerente.

Camarada chega na mesa e perguntamos:
- Boa noite... Será que o senhor poderia nos indicar a MELHOR entrada que vocês têm?
- Claro! É o nosso pão de calabresa.
- Ótimo!! traga dois por favor!!!! - pedimos com empolgação maior que a razoável.
- Eh... Bem... Acabou.
- Como assim acabou? A que horas fecha o restaurante?
- Às 2 da manhã.
- São 10 da noite, e a sua PRINCIPAL entrada acabou?
- É... O pão de calabresa é feito de um dia para o outro, e sempre fazemos menos para não sobrar.
Pausa... Como assim, fazem menos para não sobrar? Quer dizer que, além de não terem a MENOR noção da demanda diária da sua principal entrada, eles preferem DEIXAR DE VENDER a jogar fora? Vamos a um pouco de matemática:

O pão com calabresa custa cerca de R$ 90,00 / unidade. Duvido, mas duvido muito mesmo, que lhes custe mais de R$ 5,00  para fabricar. Para dar uma vantagenzinha pra eles, vamos considerar R$ 10,00 como custo de fabricação de um pão.

Então o cara prefere não fabricar, digamos, 5 pãezinhos a mais que o esperado, para não correr o risco de jogar R$ 50,00 no lixo. Só que cada pãozinho a mais desses, potencialmente traria uma receita de R$ 90,00 pra ele! Ou seja, se ele vendesse MEIO pão, já tinha pago o custo (fictício e superfaturado) dos 5 pãezinhos que fez a mais. E o mais importante! Não deixaria de servir um cliente que chegou salivando pelo bendito pãozinho. 

E, honestamente... Sobrou pãozinho? Em vez de jogar fora, DÁ DE PRESENTE pros últimos clientes a sair da casa!!! Vão adorar o mimo, adorar o pãozinho, oferecer aos amigos e, potencialmente, aumentar o consumo do bendito item quando voltarem!

Bom... Voltando à discussão com o gerente.
- Tudo bem... É uma pena, queríamos muito comer o pãozinho com o azeite. Já que não tem, será que você poderia mandar fazer uma massa de pizza um pouco mais grossa que o normal, só para termos o que molhar no azeite?
- Não, pois não temos esse item no cardápio.
- Tudo bem, cobra o preço de uma pizza, mas faz sem cobertura nenhuma, e um pouco mais grossinha.
- Não posso. O tamanho da pizza é padronizado.
- Deus do céu, homem. A pizza é moldada por uma máquina?
- Não. É a mão.
- Então dá pra pedir pro pizzaiolo fazê-la um pouco mais altinha, só pra ficar melhor de molhar no azeite?
- Não.
Bom, lá estávamos eu e meus amigos, todos frustrados de não termos comido nem o pão com calabresa, nem o espetacular azeite da Braz. E lá estava um gerente incopetente que deixou de vender FARINHA e ÁGUA por R$ 40,00 para pessoas que estavam lá tentando ajudá-lo a fazer o seu trabalho: ATENDER AO DESEJO DO CLIENTE.

Claro que essa experiência terminou com uma visita à cozinha. Infelizmente (para eles) por clientes já mau-humorados.

Quando entramos, o gerente nos deu uma touquinha para evitar a queda de nossos cabelos na comida sendo preparada. Boa iniciativa, se o próprio gerente tivesse lembrado de usar, ele mesmo, uma das touquinhas. Será que cabelo de cliente é mais nojento (ou mais Kamikaze) que cabelo de gerente?

Não sei se foi por aviso do gerente, mas quando entramos a copa estava sendo lavada. Chão, paredes, freezers, tudo molhado e ensaboado. Inclusive uma meia dúzia de abacaxis (suponho que para alguma sobremesa) que estavam dispostos no chão da copa, sob uma mesa de preparo.

Na área de preparo de pizzas, o chão era escorregadio, devido à farinha que devia cair durante o preparo da massa. Nada muito grave aí. Nos balcões ao redor do forno, dezenas de TupperWares organizadamente empilhados, com os variados ingredientes para pizza, todos com etiquetas indicando data de "fabricação" e validade.

No entanto, TODOS estavam a temperatura ambiente. Suponho que a validade de dois dias para os ingredientes seja válida para itens guardados sob refrigeração. Tudo bem que eles quisessem que os itens ficassem à mão. Mas, para isso, existem aqueles balcões com gelo, sobre os quais os potes deveriam estar acomodados.

Pergunto: Você comeria, na sua casa, queijo, presunto ou ovos que tenham ficado por mais de 8 horas fora da geladeira, sendo manipulados por pelo menos 4 pessoas diferentes?


quinta-feira, 5 de março de 2009

Post inaugural

Só pra segurar o espaço ;)