Deixando de lado demais detalhes arquitetônicos que, sim, são positivos, gostaria de dar destaque ao banheiro masculino, que tem uma área aberta, como um jardim de inverno, com bancos e plantas. Além de permitir o fumo e socialização no banheiro (para quem gosta), ainda serve como um excelente escape para maus odores. (Suponho que o feminino seja parecido, mas infelizmente não o conheci).
Minha visita à Braz foi a primeira em que resolvi exercitar o "Quero conhecer a sua cozinha". Na verdade, até então a idéia era apenas latente. Mas a inacreditável discussão que tivemos com o gerente da casa acabou despertando o impulso, e a visita acabou acontecendo.
Primeiro a discussão. A Braz serve uma entrada maravilhosa - pão de calabresa. Perfeita para molhar no maravilhoso azeite com alho feito por eles mesmos. O negócio é tão bom, mas tão bom, que é o ÚNICO item do cardápio que tem uma caixa ao seu redor, destacando-o dos demais. E custa coisa de R$ 90,00 (peça inteira), sendo vendido também em fatias.
Chegamos na pizzaria já pensando - salivando - e pedindo o tal pão de calabresa. Mas, broxada das broxadas, fomos informados que já tinha acabado.
Como assim? Que frustração! Chama o gerente.
Camarada chega na mesa e perguntamos:
- Boa noite... Será que o senhor poderia nos indicar a MELHOR entrada que vocês têm?- Claro! É o nosso pão de calabresa.- Ótimo!! traga dois por favor!!!! - pedimos com empolgação maior que a razoável.- Eh... Bem... Acabou.- Como assim acabou? A que horas fecha o restaurante?- Às 2 da manhã.- São 10 da noite, e a sua PRINCIPAL entrada acabou?- É... O pão de calabresa é feito de um dia para o outro, e sempre fazemos menos para não sobrar.
Pausa... Como assim, fazem menos para não sobrar? Quer dizer que, além de não terem a MENOR noção da demanda diária da sua principal entrada, eles preferem DEIXAR DE VENDER a jogar fora? Vamos a um pouco de matemática:
O pão com calabresa custa cerca de R$ 90,00 / unidade. Duvido, mas duvido muito mesmo, que lhes custe mais de R$ 5,00 para fabricar. Para dar uma vantagenzinha pra eles, vamos considerar R$ 10,00 como custo de fabricação de um pão.
Então o cara prefere não fabricar, digamos, 5 pãezinhos a mais que o esperado, para não correr o risco de jogar R$ 50,00 no lixo. Só que cada pãozinho a mais desses, potencialmente traria uma receita de R$ 90,00 pra ele! Ou seja, se ele vendesse MEIO pão, já tinha pago o custo (fictício e superfaturado) dos 5 pãezinhos que fez a mais. E o mais importante! Não deixaria de servir um cliente que chegou salivando pelo bendito pãozinho.
E, honestamente... Sobrou pãozinho? Em vez de jogar fora, DÁ DE PRESENTE pros últimos clientes a sair da casa!!! Vão adorar o mimo, adorar o pãozinho, oferecer aos amigos e, potencialmente, aumentar o consumo do bendito item quando voltarem!
Bom... Voltando à discussão com o gerente.
- Tudo bem... É uma pena, queríamos muito comer o pãozinho com o azeite. Já que não tem, será que você poderia mandar fazer uma massa de pizza um pouco mais grossa que o normal, só para termos o que molhar no azeite?- Não, pois não temos esse item no cardápio.- Tudo bem, cobra o preço de uma pizza, mas faz sem cobertura nenhuma, e um pouco mais grossinha.- Não posso. O tamanho da pizza é padronizado.- Deus do céu, homem. A pizza é moldada por uma máquina?- Não. É a mão.- Então dá pra pedir pro pizzaiolo fazê-la um pouco mais altinha, só pra ficar melhor de molhar no azeite?- Não.
Bom, lá estávamos eu e meus amigos, todos frustrados de não termos comido nem o pão com calabresa, nem o espetacular azeite da Braz. E lá estava um gerente incopetente que deixou de vender FARINHA e ÁGUA por R$ 40,00 para pessoas que estavam lá tentando ajudá-lo a fazer o seu trabalho: ATENDER AO DESEJO DO CLIENTE.
Claro que essa experiência terminou com uma visita à cozinha. Infelizmente (para eles) por clientes já mau-humorados.
Quando entramos, o gerente nos deu uma touquinha para evitar a queda de nossos cabelos na comida sendo preparada. Boa iniciativa, se o próprio gerente tivesse lembrado de usar, ele mesmo, uma das touquinhas. Será que cabelo de cliente é mais nojento (ou mais Kamikaze) que cabelo de gerente?
Não sei se foi por aviso do gerente, mas quando entramos a copa estava sendo lavada. Chão, paredes, freezers, tudo molhado e ensaboado. Inclusive uma meia dúzia de abacaxis (suponho que para alguma sobremesa) que estavam dispostos no chão da copa, sob uma mesa de preparo.
Na área de preparo de pizzas, o chão era escorregadio, devido à farinha que devia cair durante o preparo da massa. Nada muito grave aí. Nos balcões ao redor do forno, dezenas de TupperWares organizadamente empilhados, com os variados ingredientes para pizza, todos com etiquetas indicando data de "fabricação" e validade.
No entanto, TODOS estavam a temperatura ambiente. Suponho que a validade de dois dias para os ingredientes seja válida para itens guardados sob refrigeração. Tudo bem que eles quisessem que os itens ficassem à mão. Mas, para isso, existem aqueles balcões com gelo, sobre os quais os potes deveriam estar acomodados.
Pergunto: Você comeria, na sua casa, queijo, presunto ou ovos que tenham ficado por mais de 8 horas fora da geladeira, sendo manipulados por pelo menos 4 pessoas diferentes?
que porcaria esse blog
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